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Incêndios: Falta de prevenção e incapacidade política preocupam especialista

É urgente a adoção de medidas e de políticas integradas na prevenção dos fogos. O alerta é dado pelo cientista do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Paulo Fernandes.
“O principal problema dos incêndios é a incapacidade dos decisores políticos, de entender os problemas estruturais, ou pelo menos de os encarar, de concretizar medidas que vão de encontro aos problemas e não aos sintomas”, declara o especialista em incêndios florestais.
Paulo Fernandes afirma que a gestão do setor “tem sido muito desequilibrada”, com a atribuição de grande parte dos recursos ao combate e não à prevenção.
Exemplo disso será a aquisição de dois aviões Canadair, destinados à luta contra os fogos, anunciada ontem pelo Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.
“Poderá ser um equipamento útil ao combate, mas a grande questão do país em termos de incêndios florestais é a falta de prevenção. Os 37 milhões de dólares, ou 27 milhões de euros, que irão ser investidos em cada Canadair representam cerca de 4 vezes o orçamento nacional destinado à prevenção,” declara Paulo Fernandes.
Além disso, o responsável refere que, com a compra destes meios, o Estado passa a ter de suportar os gastos de manutenção, “que serão avultados”, ao passo que, com o aluguer dos aviões, não tinha essa despesa.
A juntar à falta de prevenção, o investigador do CITAB aponta dificuldades estruturais da floresta.
“Há problemas relacionados com o território: a maioria das propriedades são minifúndios, o que conduz a pouca expetativa de rendimento (devido aos incêndios) e cria um ciclo vicioso. As pessoas não investem porque consideram que o investimento não compensa”.
Outro problema prende-se com o uso das chamas pela população rural, uma prática que ocorre durante todo o ano, sem precauções, “e que conduz, variadas vezes, a incêndios florestais”, sentencia.
O investigador defende também que o sistema de defesa da floresta contra incêndios em vigor deverá, “para funcionar melhor”, apostar numa “maior integração entre os três pilares, cuja responsabilidade está repartida por três instituições: vigilância e deteção (GNR), prevenção (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e combate (Autoridade Nacional de Proteção Civil).
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Os alertas do especialista surgem na altura em que se assinalam seis meses sobre o lançamento da Petição Sobre a Gestão do Fogo, uma iniciativa lançada por Paulo Fernandes juntamente com outros investigadores e técnicos.
O documento, disponível na página http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N70639, defende a criação de um corpo profissional de bombeiros florestais e a adoção de medidas preventivas de incêndios.
Até ao momento, subscreveram a petição mais de 830 pessoas, sendo necessárias 4 mil assinaturas para que o tema tenha de ser discutido na Assembleia da República.
Para debater estas e outras questões relacionadas com os incêndios, a UTAD recebe hoje e amanhã as Jornadas Florestais “A floresta e a atualidade: a problemática dos fogos florestais”, que reúne especialistas, alunos, bombeiros e associações de proteção da Natureza.

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É urgente a adoção de medidas e de políticas integradas na prevenção dos fogos. O alerta é dado pelo cientista do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Paulo Fernandes.

“O principal problema dos incêndios é a incapacidade dos decisores políticos, de entender os problemas estruturais, ou pelo menos de os encarar, de concretizar medidas que vão de encontro aos problemas e não aos sintomas”, declara o especialista em incêndios florestais.

Paulo Fernandes afirma que a gestão do setor “tem sido muito desequilibrada”, com a atribuição de grande parte dos recursos ao combate e não à prevenção.

Exemplo disso será a aquisição de dois aviões Canadair, destinados à luta contra os fogos, anunciada esta quarta-feira (26 de fevereiro) pelo Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

“Poderá ser um equipamento útil ao combate, mas a grande questão do país em termos de incêndios florestais é a falta de prevenção. Os 37 milhões de dólares, ou 27 milhões de euros, que irão ser investidos em cada Canadair representam cerca de 4 vezes o orçamento nacional destinado à prevenção,” declara Paulo Fernandes.

Além disso, o responsável refere que, com a compra destes meios, o Estado passa a ter de suportar os gastos de manutenção, “que serão avultados”, ao passo que, com o aluguer dos aviões, não tinha essa despesa.

A juntar à falta de prevenção, o investigador do CITAB aponta dificuldades estruturais da floresta.

“Há problemas relacionados com o território: a maioria das propriedades são minifúndios, o que conduz a pouca expetativa de rendimento (devido aos incêndios) e cria um ciclo vicioso. As pessoas não investem porque consideram que o investimento não compensa”.

Outro problema prende-se com o uso das chamas pela população rural, uma prática que ocorre durante todo o ano, sem precauções, “e que conduz, variadas vezes, a incêndios florestais”, sentencia.

O investigador defende também que o sistema de defesa da floresta contra incêndios em vigor deverá, “para funcionar melhor”, apostar numa “maior integração entre os três pilares, cuja responsabilidade está repartida por três instituições: vigilância e deteção (GNR), prevenção (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e combate (Autoridade Nacional de Proteção Civil).

Os alertas do especialista surgem na altura em que se assinalam seis meses sobre o lançamento da Petição Sobre a Gestão do Fogo, uma iniciativa lançada por Paulo Fernandes juntamente com outros investigadores e técnicos.

O documento, disponível na página http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N70639, defende a criação de um corpo profissional de bombeiros florestais e a adoção de medidas preventivas de incêndios.

Até ao momento, subscreveram a petição mais de 830 pessoas, sendo necessárias 4 mil assinaturas para que o tema tenha de ser discutido na Assembleia da República.

Para debater estas e outras questões relacionadas com os incêndios, a UTAD recebe a 27 e 28 de fevereiro as Jornadas Florestais “A floresta e a atualidade: a problemática dos fogos florestais”, que reúne especialistas, alunos, bombeiros e associações de proteção da Natureza.

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